Dissuasão e Perssuasão

 

 

Segundo a Homilética que é a arte de esboçar e pregar sermão, a prédica religiosa tem duas finalidades que são persuadir e dissuadir. Podemos entender o seguinte acerca desses dois objetivos. Primeiro: a persuasão é o convencimento de uma verdade divina. Do pregador para o ouvinte. Entretanto o convencimento à verdade não pode acontecer sem que primeiro o ouvinte seja convencido que tudo em que acredita está edificado em alicerce podre ou frágil.
Em linhas gerais trata-se de desconstruir argumentos falsos (sofismas) e não somente convencê-lo disto, mas edificar em alicerce sólido (Jesus) uma nova realidade. E qual o instrumento usado para desconstrução e reconstrução? A Palavra de Deus.
Assim, usando estes pressupostos podemos entender como o mundo tem contribuído para dissuadir aqueles que de alguma forma tiveram sua educação baseada em alicerces morais e bons costumes.Vamos aqui usar como exemplo alguns”instrumentos” deste século para a desconstrução moral,espiritual e social do ser humano.Abaixo,uma tabela contendo o instrumento de desconstrução e seu alvo.
Alvo ................................................................................................................Instrumento
Desconstrução moral ---------------------------------------------------------- Mídia*
Desconstrução espiritual-----------------------------------------------------Religião e Mídia
Desconstrução Social--------------------------------------------------------Governos e Mídia

Vamos aqui tentar mostrar os métodos mais usuais de desconstrução moral usados pela mídia.
Quem tem mais de trinta anos sabe que ate a década de 1980 à nudez não era tão banalizada como o é agora. Homens e mulheres procuravam zelar pela discrição dos trajes. E em casa, os pais ocultavam dos filhos sua nudez.
Mas chegou a TV com suas cenas ousadas e permissividade conduzindo aquela nova geração ao desrespeito e ao total desprezo pela moral e bons costumes.
Não é de admirar que os índices de criminalidade tenham crescido assustadoramente em todas as áreas; seja contra a infância e juventude, seja contra o patrimônio e até contra os animais. A crueldade humana parece não ter precedentes nem limites, entretanto provaremos doravante que a malignidade que ora presenciamos não é inédita sobre a terra e o mesmo que Deus pôs fim ao mundo de então, também se posicionará em breve, para dar cabo dessa mixórdia que se tornou o planeta terra que podemos entender por moral?Ética é a resposta mais obvia que nos vem à mente. Aprendemos com nossos pais que a ética era uma ferramenta indispensável no dia a dia, e desde tenra idade nos acostumamos com seu convívio. Não era um compendio interminável de regras, mas uma continuidade de aprendizado que sutilmente era absorvido pela nossa consciência traçando uma nítida diferença entre nós e os animais.
O papel da mídia (leia-se televisão) tem sido ao longo dos anos contrario a tudo que nos foi ensinado; Pudor, castidade, fidelidade matrimonial, respeito aos pais (aos nossos e aos dos outros também), sexo só após o casamento, trabalho honesto, consideração aos mestres e etc. são os alvos mais constantes.
Imagino como fica a cabeça de uma criança que é ensinada pelos pais e pela própria natureza, sobre relacionamento homem-mulher,quando vê em uma novela ou em um comercial dois homens trocando juras de amor,ou duas mulheres desafiando o mundo para viver uma relação proibida. Como explicar o inexplicável?O fato é que a verdade que outrora conhecemos tem sido dilapidada pela mídia e parece que não temos como lutar contra isto... Ou poderia dizer: não queremos lutar contra isto.
Não acredito que a mídia, por si só, seja o único instrumento usado pelo maligno nestes dias; mas, com certeza, é o mais eficaz.
Um dos fatores que torna a TV tão perigosa é sua inculpabilidade, isto é, não podemos responsabilizar. Até porque nos não somos forçados a comprar um aparelho de TV e sim persuadidos com tanta eficácia que aprendemos a desejar a TV tão ardentemente como se fosse o único item necessário para nossa sobrevivência. Depois de adquirida aceitamos de bom grado tudo que nela seja exibido. E não paramos de lhe dar legalidade. Preparamos os melhores lugares da nossa casa para sentar junto com a família, em horários outrora considerados sagrados, diante da tela deslumbrados, dizemos um veemente “não” a tudo que aprendemos como base para formação do nosso caráter.
Preocupante? Não! Já não nos preocupamos se nossos filhos irão gastar horas preciosas diante da TV, pois eles já fazem isto. Como droga preparada pelo aliciador para a fase inicial do inocente usuário, a tela da TV foi só o inicio. Depois vieram os vídeos games, com seus jogos sangrentos e mortais.
Não para por ai. Com o passar dos dias novas tecnologias são inventadas e recebidas por nos com reverencia e alegria. Assim a luta se torna desigual e injusta. Perdemos o bom senso, o discernimento, a vontade de lutar e o que pode ser pior ainda: nós e nossa casa somos persuadidos à prática do mal e dissuadidos do bem que deveríamos praticar. Pagamos e caro para sermos enganados, e expostos a todo tipo de malignidade.
• Religião e Mídia
Por mais incrível que possa parecer, as religiões têm sua parcela de desconstrução de valores que muitas vezes são por elas apregoados.
Há quase dois mil anos atrás, o apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos no capítulo dois versos 21 a 24, mostra a triste realidade de homens religiosos de sua época, que eram incumbidos de nobre tarefa: instruir as pessoas no caminho da salvação. Só que, segundo o próprio Paulo, eles transtornavam a vida daqueles que deveriam guiar enquanto incorriam em todos os erros que (ensinavam) não deveriam praticar. Veja o texto na integra:
Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?
Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio?
Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei?
Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós Rm 2:21-24.

Perceba com atenção que as atitudes dos lideres religiosos não só atrapalhavam os que já estavam se aproximando de Deus como também faziam com que Deus fosse odiado entre as nações. Que trabalho incrível!
Não é muito diferente dos dias atuais. Quantas e quantas pessoas desistem da fé em Deus por causa daqueles que alegam professá-la, sem, contudo esforçar-se para viver o que pregam. Quantas guerras “santas”, quantos “ pecadinhos “ ocultos e outros pecados já nem tão ocultos assim.Hipocrisia,simonia ,pedofilia,ganância, avareza. E como se não bastasse tudo isso, se procurou meios ainda mais eficazes de propalar toda esta mentirada em nome de Deus. A mídia novamente entra em cena, mas como personagem secundário. A protagonista desta feita é a religião.
É difícil para a mente mais fértil imaginar o mundo sem algum tipo de expressão religiosa. A religião gera crença e havendo crença há também esperança que torna o homem melhor. Mesmo divergindo em fundamentos doutrinários é ponto pacifico que todos que professam uma religião são mais voltados para o bem e para causas humanitárias. Faça com que a humanidade perca sua referencias religiosas e sua fé em seus lideres e teremos um mundo caótico onde ninguém se importara mais em praticar o bem. Estamos caminhando para este triste fim.
Desta forma as obrigações básicas que necessitam de comprometimento humano para serem executadas serão fatalmente direcionadas para o poder publico e é exatamente aí que passamos para o próximo tópico.

Governos e Mídia

Vamos definir governo, segundo os dicionários mais conceituados;
Conjunto dos órgãos responsáveis pela administração pública (presidência, ministérios, congresso etc., no plano federal, p. ex. ou ainda poder executivo de uma nação e por ai vai. Pelo que entendemos podemos afirmar que o governo é formado por instituições frias e sem poder de resolver por si só, dependendo do julgamento humano para executar as deliberações finais. quer dizer que para executar uma ação, o governo precisa da opinião de pessoas idôneas que compõem a opinião publica.
Creio que chegamos ao ponto crucial. Como encontrar opiniões isentas de partidarismo em meio a um povo de todo já minado em seu intelecto e já tocado na alma por decepções terríveis?
Cada lei criada, cada opinião expressa, cada sentimento manifesto nas mais altas esferas dos governos, deveriam ser apoiadas no bom senso. Mas não é isso que acontece. Todo o dia nos distanciamos mais um pouco de um sistema justo, com atribuições, direitos e deveres iguais para todos. Entretanto, não chegamos a este ponto da noite para o dia. Governo e religião nasceram com a humanidade e lado a lado, por muito tempo geriram e abençoaram o gênero humano. Nos primórdios, as decisões, ainda que políticas eram abalizadas pela justiça advinda de um Ser Supremo, conhecido das remotas civilizações. Nomes diferentes identificavam um Deus que era referência de bondade e misericórdia, mas acima de tudo de justiça social e imparcialidade. Debaixo destes atributos divinos, o homem evoluiu em ciência, cultura e infelizmente também, na mesma via do desenvolvimento, soltou-se das mãos do seu criador e buscou seu próprio caminho. Caminho este que o levou e tem ainda levado, pelas vias da corrupção e do engano.
Então, sem leis adequadas para impedi-lo superabundou o pecado e sua perversão tornou-se patente. Por mais que alguns indivíduos tentem restaurar a ordem,por meio de decretos e esforços especiais,não conseguem pois suas intenções são como gota d’água em um oceano de transgressões.
É neste cenário, entre uma guerra e outra, que o mal forjou o aliado dos mais poderosos, a mídia.Dos três agentes de desconstrução, citados acima, qual tem se sobressaído?
Qual destes tem “pousado” de paladino da justiça. Qual tem se posicionado 24h/ dia ao lado de todos, ricos ou pobres.
Seria por acaso a justiça ou a religião. Infelizmente não. A mídia tem meios para assumir seu lugar, não só na estante ou na mesinha da sala.
A TV chegou para substituir os pais em relação aos filhos, no que diz respeito à educação e a presença, chegou para substituir professores e mestres, ensinando tudo até o que se deve comer, vestir, calçar, com quem casar, a quem honrar.
A TV também decide quem deve morrer ou viver, quem assume os altos cargos públicos até mesmo o de presidente da república.
Não tem limites e nem mesmo o controle remoto serve para neutralizar-lhe os efeitos.
Poderosa e absoluta, a TV segue comandando dissuadindo e perssuadindo sem que ninguém possa impedi-la.