AMEAÇA TERRORISTA


Há algum tempo, o mundo vem sendo confrontado com um discurso que subestima e põe em “xeque”, direitos como liberdade, segurança, bem-estar e prioriza ideias, crenças e crendices em detrimento até da vida humana. As pessoas se mantêm acuadas pelo terror que esse discurso impõe. Há algum tempo, esse discurso passou a ser permanente nas manchetes de jornal, nos noticiários da televisão; sequestro, assassinatos, ataques a centros urbanos, guerras; e o mundo ocidental se espantava com o fato de pessoas atarem explosivos ao próprio corpo para defender uma causa político-religiosa, sem se importar com a morte sumaria de inocentes. Terrorismo.
Há muito tempo, a engenhosidade do homem nos permite ouvir falar e saber de bombas (com o perdão da má palavra), mas nesse tempo, tal vocábulo nos remetia às guerras e, elas estavam distantes. Muros altos, sistema elétrico de segurança, carros blindados faziam parte do arsenal utilizado apenas pelos milionários a fim de protegerem as suas fortunas e garantir a segurança de suas casas. Hoje a guerra está na esquina da rua, na porta de casa! E esse arsenal foi “democratizado”; a classe média, micro empresários já têm que se utilizar deles para oferecer o mínimo de bem-estar aos seus.
A situação tornou-se tão extrema que, em alguns lugares, certas palavras soam como sons de alerta; e põem em ação equipes táticas, esquadrões de elite; um exército em pânico. [A polícia de Athens, EUA, interditou quatro prédios da Universidade de Ohio, depois de notar um adesivo que dizia: “esta bicicleta é uma bomba”. Não havia bomba, a mensagem fazia referência a uma banda de punk rock de Pensacola,Flórida. Depois de quase duas horas, e de cuidadosos exames a ameaça foi descartada – 04/-04/2006, 09h23]. Para embarcar num avião, então, é uma maratona: está proibido bagagem de mão, garrafinhas de água, colírios, enfim, tudo que possa ser transformado em explosivo. A maioria das denúncias ou das suspeitas não se confirma, mesmo assim, todas as vezes que há uma referência de artefato em algum lugar, o pânico se instala. Aliás, as pessoas vivem em sobressalto, por isso tantas denúncias e suspeitas de bombas em todo lugar. Uma maleta abandonada em uma esquina é motivo de alarme; os esquadrões de ações táticas são chamados, os locais evacuados, as ruas interditadas. A população mundial tornou-se enfim,refém do medo.
Diante desses fatos surge uma questão: até que ponto somos vítimas ou agentes do terror? Até onde nos deixamos encurralar ou tomamos parte no discurso terrorista. Parece que esse discurso de tanto ser ouvido tomou parte no cotidiano das pessoas que há pouco demonstravam espanto. Hoje, não só os “bandidos” fazem terror. Pais e filhos se ameaçam, professores e alunos se ameaçam (chegando algumas vezes às vias de fato); patrões ameaçam empregados utilizando-se do terror empreendido pelos governos à população: o emprego (ou a falta dele). Todos hoje usamos a ameaça como principal forma de persuasão. Até mesmo aqueles que deveriam fazer da paz e da pacificação os seus trunfos, estão se valendo da ameaça e do terror da bomba para se fazerem ouvir. [Um padre católico holandês ameaçou impedir o show de Madonna em Amsterdã, por causa de uma cena de crucificação que a cantora protagoniza durante a apresentação. Segundo o sacerdote, as cenas eram muito ofensivas e deveriam ser suspensas. Depois da ameaça ele foi preso – 10/09/2006, 17h55].
A bíblia nos ensina que os pacificadores serão reconhecidos como filhos de Deus (Mt 5:9). E ainda, que devemos manter a paz com todos por que a vingança pertence ao Senhor; fazendo assim, não seremos vencidos pelo mal, mas venceremos o mal com o bem (Rm 12:21). Mas não é esse o conselho que o mundo está seguindo; antes, segue àqueles que santificam as guerras e que se vestem da mortandade para validar sua fé e seus ideais. Corriqueiramente as pessoas se aparelham de violência e de ameaças, imprimem o terror nas negociações, para defenderem suas ideias, seus direitos [Ameaça de explosão de um artefato na agência do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), no bairro de Periperi, subúrbio se Salvador. O esquadrão anti-bomba da polícia baiana foi acionado, mas acabaram não comprovando a ameaça – 28/08/2006, 15h37]. Até mesmos as conversas são tensas e entremeadas de ofensas e agressões.
A cada dia o mundo se distancia mais da paz que diz almejar e seguindo por este caminho o que achará é maior desolação, mais caos. Quando falamos em mundo é preciso lembrar que fazemos parte dele e que as nossas ações são realmente decisivas para o rumo que ele irá tomar. Como filhos de Deus, devemos refletir o seu caráter, repetindo as suas ações, seguindo o exemplo de Jesus Cristo; sendo agentes de transformação para o bem, para a vida e não nos deixando dominar por práticas destrutivas e de morte (Rm 12:1-2).

Sara Lopes