Além das Manifestações

 

Manifestações

 

 

Vendo as manifestações nos últimos dias senti um misto de orgulho e esperança que acredito tenha sido compartilhado por milhares de pessoas.
Não sabemos os rumos desse movimento que tem tomado as ruas das principais capitais e alguns municípios do pais, ninguém sabe se surtirá algum efeito político ou se algumas das muitas reivindicações serão atendidas. O que sabemos é que por alguns poucos momentos, os da minha geração puderam sentir aquele friozinho na barriga, seguida por ondas crescentes de arrepios que aos poucos se apoderaram do nosso corpo, que eram tão comuns para nós.
Meu Deus eu sinto alegria em dizer que faz muito tempo não víamos algo que realmente fosse digno de bons comentários. Eu que ultimamente tanto tenho criticado a inércia quase tétrica da juventude como um todo, que assistia um gigante dormente sendo dominado por poderes que se agigantavam projetando-se acima de todos os interesses da nossa nação.
Entretanto, se por um lado vemos essa onda democrática arrastando indecisos de todas as idades, por outro vemos arremedos de movimentos centrados egoisticamente em suas próprias causas sem o devido discernimento de que em se tratando de causas da humanidade ninguém pode isoladamente beneficiar-se, quer seja grupos ou agremiações desde quando represente só a poucos. O alvo menor de toda e qualquer manifestação deste quilate deve ser o povo, ali presente ou representado por aqueles que ali presentes estão. O auge então será nada mais nada menos que a própria humanidade com alcance em todas as gerações.
Muitas mensagens foram e estão sendo enviadas de um só remetente para muitos destinatários, contudo a que no momento me salta aos olhos é a de que os jovens são fortes e por isto têm condição de convencer outros que talvez não estejam mais no vigor da idade mas que ao atender ao apelo, independente da idade se tornam fortes também por verem renascidos seus ideais mais nobres; por verem, assim como eu vi que ainda há esperança para todos que estejam dispostos a resistirem ao mal independente de onde ele venha ou qual aspecto tenha. Poderemos vencê-lo se deixarmos de lado as bandeiras partidárias e denominacionais que tanto separam a todos, e nos unirmos ao redor de um só ideal comum a todos. Dai a justiça triunfará e nossos olhos serão abertos para além desta realidade medíocre em que vivemos.

Junho/2013