Nosso mais novo colaborador é o Dr.Tercio Carneiro Ramos
Diacono da Igreja Batista Monte Horebe
Doutorado em Farmacologia-UFC

Professor da UNEB e EBMSP

e construtor nas horas vagas

A liberdade e a política da Avestruz

Definir liberdade é um desafio, como é definir outros termos abstratos como : beleza, justiça, amor, etc. Muitas vezes é necessário definir o que não é liberdade ou definir os atributos de quem é livre, para se compreender melhor o sentido do termo, mesmo assim, podendo-se incorrer em erros inerentes aos julgamentos preconceituosos que carregamos.
O dicionário Michaelis define liberdade como: Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa ou coação física ou moral. 2. Condição do ser que não vive em cativeiro. 3. Condição de pessoa não sujeita a escravidão ou servidão.
Costumo ouvir defensores de determinadas políticas de “Redução de danos” e como muitos defensores de qualquer coisa, os fazem de modo apaixonado e exaltado, defendendo a “liberdade de usuários de drogas como: crack, cocaína, maconha, exctasy, dentre outras, como modo de expressão de sua liberdade de escolha. Entenda-se como política de redução de danos as ações de governo que favoreçam a continuidade de uso de drogas proibidas, por exemplo, a distribuição de seringas a usuários de cocaína ou heroína injetáveis para os mesmos não contraírem o HIV. Neste caso, é como se o estado, ou seja, aqueles que elegemos, estão dizendo que é necessário manter homens e mulheres sob o “dano menor” pois somos incapazes de ajudá-los a sair da prisão em que se meteram. Ora, esta opção fere inclusive o conceito puro e simples de liberdade, “condição do ser que não vive em cativeiro”... Trata-se da famosa política da avestruz que tem o hábito de enfiar a cabeça na areia para esperar a tempestade passar. Um modo estranho de enfrentar dificuldades, ou seja fugindo da mesma.

Aos usuários de substância psicoativas tem se atribuído o termo “adicto”ao sujeito acostumado, habituado, dependente destas. A privação destas substâncias leva em maior ou menor escala ao desenvolvimento da síndrome de abstinência, com grande sofrimento físico e psíquico, o que faz o adicto a invarialmente retornar ao uso. O uso prolongado destas substâncias reduz o prazer produzido ao longo do tempo num fenômeno chamado de tolerância, mas o usuário continua a utilizá-las como forma de livrar-se do sofrimento do não uso. Dentre as drogas de abuso e uso lúdico a mais importante, socialmente falando hoje em dia, está o crack. O poder de adicção do mesmo é superior ao da própria cocaína, pois este é um derivado da mesma. A quem interessa manter indivíduos presos ao uso de crack ou outras susbtâncias psicoativas, O traficante tem motivos óbvios, mas, não estamos falando do seu ponto de vista, estamos abordando do ponto de vista de quem não é traficante, ou seja, dos promotores de políticas públicas para estes usuários. A expectativa de vida de um usuário frequentador de uma das cracolândias no estado de São Paulo é de um ano (fonte: Observatório da Segurança do estado de São Paulo). Onde está a liberdade do indivíduo em parar o seu uso, onde esta a liberdade do individuo em reatar as suas relações sociais, afetivas, trabalhistas, familiares, onde estar a liberdade de possuir a sua autodeterminação, a exercer o instinto primário de autopreservação. Aos defensores desta política pergunto e espero uma resposta sincera, isenta de paixões e ativismo: Você contrataria um usuário de crack para gerenciar o seu negócio, contrataria alguém para servir como empregado doméstico e tomar conta da sua casa na sua ausência, confiaria deixar os seus filhos aos cuidados de uma usuária de crack enquanto você está ausente de casa, aceitaria que um médico ou dentista fizesse em você uma cirurgia ou aplicasse uma simples injeção, ou mesmo que um veterinário realizasse uma cirurgia no seu cãozinho de estimação... Onde está a liberdade do usuário em exercer uma profissão dignamente que não lhe é permitida... Porque esta política só é boa se o usuário estiver bem longe do seu proponente ?.
Redução de dano em usuários de substâncias psicoativas fere o bom senso, pois, se existe a possibilidade de dano, porque não se investir na ausência do mesmo, ou então teremos que partir do pressuposto que alguns seres humanos são irrecuperáveis e, portanto, devem ser mantidos sob o dano do uso. Se existem indivíduos irrecuperáveis passamos a defender também a pena de morte, a prisão perpétua...
Acreditar em mentiras também causa perda de liberdade, Deus não criou o homem para a prisão e sim para a liberdade. ...E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará ...Jo 8:32

Não existe a cocaína e o crack na Biblia, mas temos um manual de psicofarmacologia do efeitos do álcool (etanol), substância psicoativa, presente nos destilados e fermentados (ou bebida forte como chama a bíblia), que serve de modelo para as outras substâncias psicoativas
- Provérbios 23:31-35 (ARA)
v. 31 Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente
v. 32 Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco
v. 33 Os teus olhos verão coisas esquisitas, e o teu coração falará perversidades
v.34 Serás como o que se deita no meio do mar e como o que se deita no alto do mastro
v. 35 e dirás: Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti; quando despertarei? Então, tornarei a beber
Neste texto encontramos que o seu uso produz: Inicio atrativo (v.31), final trágico (v.32), alterações psicomotoras, delírios e alucinação (v.33), alteração do equilíbrio, perda do convívio familiar e doméstico (v.34), efeito analgésico, perda do instinto de autopreservação e potencial para induzir adicção, ou seja, indução ao vício (v.35). Interessante é que os dois (álcool e cocaína) são de origem de plantas e o seu uso como derivado da mesma na forma de pasta de cocaína aplicado na pele ou do álcool como antisséptico produzem efeitos benéficos ao homem, a própria cocaína já teve os seus dias de glória com o uso hospitalar como anestésico local, o problema começou quando a via de administração foi alterada, o objetivo terapêutico foi equivocado, os benefícios não justificavam os riscos. Coincidentemente tem sido assim com tantas outras coisas da nossa sociedade como: sexo, dinheiro, bens..... coisas que são bênçãos transformadas em maldição.
Quando alguém conhece Jesus que a verdade, que é o caminho, que é a vida, passa a enxergar o mundo com outras lentes, e pode sim exercer a sua liberdade plena, de escolha, de negação, de autodeterminação, de análise, de comparação, e a ter vida plena e abundante, esta é a proposta do seu criador.